terça-feira, 17 de dezembro de 2024

SAGARANA(1946) JOÃO GUIMARÃES ROSA - O BURRINHO PEDRÊS

 SAGARANA(1946)   JOÃO GUIMARÃES ROSA  (TERCEIRA GERAÇÃO DO MODERNISMO- PROSA) - O BURRINHO PEDRÊS

João Guimarães Rosa e o Modernismo:

João Guimarães Rosa (1908-1967) é um dos maiores nomes da literatura brasileira, inserido na Terceira Geração do Modernismo (também conhecida como Geração de 45). Essa fase se caracteriza por:

  • Regionalismo Universalista: Aprofundamento na temática regional, mas com uma linguagem e abordagem que transcendem o local, alcançando questões universais da condição humana.
  • Experimentalismo Linguístico: Busca por uma linguagem inovadora, com neologismos, arcaísmos, sintaxe peculiar e oralidade.
  • Introspecção Psicológica: Interesse pela interioridade dos personagens e seus conflitos existenciais.

"Sagarana" (1946):

"Sagarana" é um livro de contos que marca a estreia de Guimarães Rosa na literatura. A obra retrata o sertão mineiro com uma linguagem rica e inovadora, explorando temas como a violência, a religiosidade, a natureza e o universo mítico. O termo "Sagarana" é um neologismo criado por Rosa, combinando "saga" (narrativa heroica) e "rana" (à maneira de), sugerindo narrativas à maneira de sagas.

"O Burrinho Pedrês":

  • Enredo (Começo, Meio e Fim):
    • Começo: O conto apresenta o burrinho Pedrês, também chamado de Sete-de-Ouros, e sua jornada com uma comitiva de boiadeiros pelo sertão. Desde o início, o animal é descrito com características quase humanas, como cansaço, paciência e melancolia.
    • Meio: A viagem é árdua, marcada pela seca, pelo calor e pela crueldade dos homens. O burro é explorado ao máximo, carregando cargas pesadas e sofrendo maus tratos. Um episódio central é a travessia de um rio, onde o burro quase se afoga.
    • Fim: A narrativa culmina com uma enchente que surpreende a comitiva. O burro, já exausto e considerado inútil por alguns, demonstra sua força ao salvar dois boiadeiros durante a inundação, ironicamente provando seu valor no momento de maior perigo.
  • Personagens:
    • Principal: O burrinho Pedrês (Sete-de-Ouros).
    • Secundários: Os boiadeiros, principalmente o dono do burro.
  • Características Físicas e Psicológicas:
    • Burro Pedrês: Fisicamente, é descrito como um animal forte, mas também cansado e magro devido à dura jornada. Psicologicamente, demonstra paciência, resistência, melancolia e uma certa sabedoria.
    • Boiadeiros: São retratados como homens rudes e pragmáticos, preocupados com o trabalho e pouco sensíveis ao sofrimento do animal.
  • Temas:
    • Exploração Animal e Humana: A jornada do burro reflete a exploração do trabalho no sertão, tanto de animais quanto de pessoas.
    • Resistência e Perseverança: Apesar do sofrimento, o burro persiste na jornada, simbolizando a capacidade de resistência diante das adversidades.
    • Relação Homem-Natureza: O conto retrata a interação entre o homem e o ambiente hostil do sertão, marcado pela seca e pela violência.
    • Humildade e Valor: A inversão final, em que o burro considerado inútil se torna o salvador, destaca a importância da humildade e o valor que pode ser encontrado nos seres mais simples.
  • Características Estilísticas:
    • Linguagem Inovadora: Guimarães Rosa utiliza uma linguagem rica em neologismos, arcaísmos, metáforas e comparações, criando um universo linguístico único.
    • Oralidade: A narrativa incorpora elementos da oralidade sertaneja, como expressões populares e ritmo cadenciado.
    • Metaforização: A jornada do burro é carregada de simbolismo, representando a trajetória humana.
  • Figuras de Linguagem:
    • Metáforas: "A poeira subia, vermelha, igual sangue seco."
    • Comparações: "O burro andava como se carregasse o mundo nas costas."
    • Personificação: Atribuição de características humanas ao burro.
  • Contexto Histórico e Social:
    • O conto retrata o sertão mineiro em um período de dificuldades econômicas e sociais, marcado pela seca, pela exploração do trabalho e pela violência.
    • A obra dialoga com o contexto do Modernismo, buscando novas formas de expressão e abordando temas relevantes para a sociedade brasileira da época.
  • Relação com Outras Obras:
    • "O Burrinho Pedrês" dialoga com outras obras de Guimarães Rosa, como "Grande Sertão: Veredas", que também exploram o universo sertanejo e a condição humana.
    • Pode-se relacionar com outras obras regionalistas da literatura brasileira, como as de Graciliano Ramos, que também retratam a seca e a vida no sertão.

1. Aprofundando a Caracterização do Burrinho:

  • Para além da humildade: Embora a humildade seja uma característica central, podemos explorar outras nuances da personalidade do burro. Há nele uma melancolia, um cansaço existencial, quase uma sabedoria silenciosa adquirida pela experiência. Ele observa o mundo ao seu redor com uma certa distância, como se compreendesse a futilidade da agitação humana.
  • A relação com os outros animais: O conto menciona outros animais, como a boiada. Explorar a interação (ou a falta dela) entre o burro e esses outros seres pode revelar mais sobre sua solidão e seu papel marginalizado na comitiva.
A Solidão do Burro:
  • Falta de comunicação: O burro não participa das conversas dos homens. Sua comunicação se resume a movimentos, relinchos e expressões físicas que, na maioria das vezes, são ignoradas ou mal interpretadas pelos boiadeiros. Essa barreira comunicativa intensifica sua solidão. Ele observa o mundo humano sem conseguir se integrar a ele.
  • Coisificação: Os homens tratam o burro como um objeto, uma ferramenta de trabalho. Suas necessidades e sentimentos são desconsiderados. Ele é visto apenas por sua utilidade, o que contribui para sua sensação de isolamento e desumanização. A própria mudança de nomes que ele sofre ao longo da vida ("Brinquinho", "Rolete", "Chico-chato", "Capricho", "Sete-de-Ouros") reforça essa ideia de posse e despersonalização.
  • Diferença de ritmo e percepção: Como mencionado anteriormente, o burro vive em um ritmo diferente dos homens. Sua percepção do tempo e do mundo é mais lenta e contemplativa. Essa diferença acentua seu isolamento, pois ele não compartilha da mesma pressa e das mesmas preocupações dos boiadeiros.

O Papel Marginalizado na Comitiva:

  • Na periferia da ação: O burro está sempre à margem das ações principais da comitiva. Ele acompanha a boiada, mas não participa das decisões nem das interações sociais dos homens. Sua presença é funcional, não social.
  • A visão utilitária: Sua importância se resume à sua capacidade de trabalho. Quando se torna velho e aparentemente inútil, é descartado e negligenciado. Somente no momento da enchente, quando sua força se revela essencial, ele reconquista momentaneamente um lugar de destaque, mas logo volta à sua posição marginal.
  • A representação do oprimido: O burro pode ser interpretado como uma figura do oprimido, aquele que é explorado e marginalizado pela sociedade. Sua jornada reflete a experiência de muitos trabalhadores rurais que sofrem com a exploração e a desumanização.

Interação (ou a ausência dela) com outros seres:

  • Com os bois: A interação com a boiada é mínima. O conto não explora a fundo essa relação, mas podemos inferir que o burro se sente diferente dos bois, que seguem o instinto de manada. Sua individualidade e sua melancolia o separam do coletivo bovino.
  • Com os homens: A interação com os homens é marcada pela exploração e pela falta de empatia. Os boiadeiros, em sua maioria, demonstram pouca sensibilidade ao sofrimento do animal. A relação é puramente utilitária.
  • Com a natureza: A relação com a natureza é ambígua. Por um lado, a natureza é hostil e impõe sofrimento ao burro (seca, calor, enchente). Por outro lado, é na natureza que ele encontra refúgio e demonstra sua verdadeira força. A enchente, que inicialmente representa uma ameaça, se torna o palco de sua redenção.

Exemplos no texto:

  • A descrição inicial do burro como "miúdo e resignado" já o coloca em uma posição de inferioridade.
  • As repetidas menções ao seu cansaço e à sua magreza reforçam a ideia de exploração.
  • A falta de diálogo entre o burro e os homens evidencia a barreira comunicativa e a solidão do animal.
  • O episódio da enchente, quando ele salva os boiadeiros, demonstra a inversão de valores e a importância de reconhecer o valor dos seres marginalizados.

Ao analisar a interação (ou a falta dela) do burro com os outros seres, podemos compreender melhor a mensagem do conto e a crítica social presente na obra de Guimarães Rosa. O burro, em sua solidão e marginalidade, se torna um símbolo poderoso da resistência e da humildade.


  • A percepção do tempo: O tempo para o burro parece diferente do tempo dos homens. Sua jornada é marcada pelo ritmo lento de seus passos, pela repetição dos dias e pela espera. Essa percepção temporal contribui para a atmosfera melancólica do conto.

2. Expandindo a Análise da Relação Homem-Natureza:

  • A natureza como força implacável: A seca e a enchente representam a força incontrolável da natureza, que pune tanto homens quanto animais. A natureza não é romantizada; ela é dura, hostil e indiferente ao sofrimento.
  • O contraste entre o ritmo da natureza e o ritmo dos homens: Os homens estão sempre apressados, preocupados com o trabalho e com o tempo. O burro, por outro lado, se move em um ritmo mais lento, em sintonia com os ciclos naturais. Esse contraste evidencia a desconexão entre o homem e a natureza.
  • O simbolismo da paisagem: A poeira, o sol escaldante, o rio e a enchente podem ser interpretados simbolicamente. A poeira representa a aridez e o sofrimento; o rio, a vida e a morte; a enchente, a força transformadora da natureza.

3. Detalhando os Aspectos Linguísticos:

  • A musicalidade da prosa: Guimarães Rosa utiliza aliterações, assonâncias e outros recursos sonoros para criar uma prosa musical, que contribui para a atmosfera poética do conto.
  • A influência da oralidade: A linguagem do conto incorpora elementos da fala sertaneja, como expressões idiomáticas, ditos populares e a sintaxe coloquial. Isso confere verossimilhança à narrativa e aproxima o leitor do universo sertanejo.
  • O uso de neologismos e arcaísmos: O uso dessas palavras incomuns contribui para a estranheza e o encantamento da linguagem de Rosa, criando um universo linguístico único.

4. Aprofundando a Análise Temática:

  • A inversão de valores: A inversão final, em que o burro desprezado se torna o salvador, questiona os critérios de valorização da sociedade. O conto sugere que a verdadeira grandeza pode ser encontrada nos seres mais humildes e aparentemente insignificantes.
  • A crítica à exploração: A exploração do burro pode ser interpretada como uma metáfora da exploração do trabalho humano, especialmente no contexto rural. O conto denuncia as condições precárias de trabalho e a desumanização presente nas relações sociais.
  • O ciclo da vida e da morte: A jornada do burro pode ser vista como uma representação do ciclo da vida, marcado por sofrimento, trabalho e, finalmente, a redenção. A enchente, ao mesmo tempo em que traz destruição, também traz a possibilidade de renovação.

5. Conexões Intertextuais:

  • Com outros contos de "Sagarana": É interessante comparar "O Burrinho Pedrês" com outros contos do livro, como "A Volta do Marido Pródigo" ou "Sarapalha", buscando semelhanças e diferenças na abordagem dos temas e na construção dos personagens.
  • Com outras obras de Guimarães Rosa: Podemos relacionar o conto com outras obras do autor, como "Grande Sertão: Veredas", que também exploram o universo sertanejo, a linguagem inovadora e a complexidade da condição humana.
  • Com a literatura regionalista brasileira: O conto dialoga com a tradição da literatura regionalista brasileira, mas a transcende ao universalizar os temas e ao inovar na linguagem.

REVISANDO: 
  • “O Burrinho Pedrês”, conto que abre a coletânea Sagarana (1946), de João Guimarães Rosa, é uma narrativa rica em simbolismo, estilo e profundidade, característica do autor. A seguir, destacam-se os principais aspectos que podem ser analisados na obra:

    1. Temática

    • Ciclo da vida e da morte:
      O conto explora a relação cíclica da vida e da morte por meio da trajetória de Sete-de-Ouros, o burrinho que, mesmo idoso e considerado inútil, desempenha um papel crucial ao salvar a comitiva de tropeiros durante uma enchente.

      • Análise: A narrativa destaca como o velho animal, à beira da aposentadoria, revela sua importância, refletindo sobre a valorização das experiências acumuladas ao longo da vida.
    • Natureza e destino humano:
      A luta contra os perigos naturais, como a enchente, demonstra a fragilidade humana diante das forças da natureza. Guimarães Rosa sugere que o ser humano é parte de um sistema maior e está sujeito às mesmas forças que regem os animais e o ambiente.

    • Solidariedade e hierarquia social:
      A comitiva é uma metáfora da sociedade rural: nela, há hierarquias, conflitos e cooperação. O burrinho, mesmo inferiorizado, é essencial à sobrevivência do grupo, mostrando como cada elemento da sociedade, por mais insignificante que pareça, tem seu valor.


    2. Personagens

    • Sete-de-Ouros:
      O protagonista animal é descrito como velho, cansado e subestimado, mas acaba demonstrando bravura e resiliência. Ele simboliza a força oculta dos que são descartados ou considerados ultrapassados.

    • Tropeiros:
      Os tropeiros, que compõem a comitiva, são representações das diferentes personalidades humanas e suas interações. Suas falas revelam preconceitos, temores e a necessidade de trabalhar em grupo.


    3. Narrador e Estilo

    • Narrador em terceira pessoa:
      O narrador utiliza uma linguagem rica em regionalismos e oralidade, transportando o leitor para o universo sertanejo. A escolha desse estilo contribui para a autenticidade da narrativa, refletindo a cultura e o ambiente rural.

    • Ironia e humor:
      Há momentos de leveza, como as descrições irônicas da fragilidade do burrinho ou os diálogos dos tropeiros. Guimarães Rosa utiliza o humor para humanizar a história e envolver o leitor.


    4. Tempo e Espaço

    • Tempo:
      A narrativa é linear, acompanhando os eventos que levam à travessia perigosa e ao resgate da comitiva. A escolha de um tempo contínuo intensifica a tensão durante o episódio da enchente.

    • Espaço:
      O sertão é mais do que um cenário: é um personagem que interage com os demais, impondo desafios e revelando a pequenez humana. A travessia do rio é um momento crítico, onde o sertão mostra sua força indomável.


    5. Simbolismo

    • O burrinho pedrês:
      O burrinho é símbolo de resistência e experiência, representando aqueles que, mesmo marginalizados, possuem um valor inestimável. Ele também pode ser lido como uma metáfora para a sabedoria acumulada com o tempo.

    • A enchente:
      A enchente simboliza as forças incontroláveis da natureza e os desafios inevitáveis da vida. É o grande "teste" que permite aos personagens revelarem seu verdadeiro caráter.


    6. Contexto histórico e cultural

    • Tropeirismo no Brasil:
      O conto retrata um Brasil rural, onde o tropeirismo era uma atividade econômica e cultural relevante. Guimarães Rosa captura os valores, os costumes e as dificuldades dessa época.

    • Humanização dos animais:
      Sete-de-Ouros não é apenas um animal; ele é humanizado, com sentimentos e decisões. Essa abordagem reflete a visão de Guimarães Rosa sobre a interconexão entre homens e animais no sertão.


    7. Interpretação Crítica

    • Redescoberta do valor humano e animal:
      “O Burrinho Pedrês” propõe uma reflexão sobre a importância dos "invisíveis" na sociedade: aqueles que, à primeira vista, parecem descartáveis, mas que, em momentos de crise, revelam-se essenciais.

    • A força do sertão:
      O conto mostra como o sertão é uma força bruta, moldando a vida dos que nele habitam. A interação com esse espaço exige coragem, resiliência e união.


    Questões para análise

    Dissertativa

    • Pergunta: Como o burrinho Sete-de-Ouros simboliza a resistência e a valorização dos marginalizados?
    • Resposta: O burrinho Sete-de-Ouros simboliza a resistência ao demonstrar, mesmo idoso e desacreditado, que ainda possui utilidade e valor. Sua participação na salvação da comitiva evidencia como indivíduos marginalizados podem ser essenciais, oferecendo uma crítica à superficialidade dos julgamentos sociais.

    V ou F

    • O burrinho Sete-de-Ouros é um animal jovem e respeitado no grupo. (F)
    • A narrativa de “O Burrinho Pedrês” é marcada pela presença de regionalismos. (V)

    Objetiva

    • Pergunta: Qual é o papel do burrinho Sete-de-Ouros na trama?
      a) Representar a sabedoria acumulada.
      b) Criticar a hierarquia social.
      c) Salvar a comitiva em um momento crucial.
      d) Todas as alternativas acima.
    • Resposta: d) Todas as alternativas acima.

    Interpretação

    • Pergunta: Explique a importância da enchente na narrativa de "O Burrinho Pedrês".
    • Resposta: A enchente é o clímax da história, simbolizando os desafios incontroláveis da natureza. Ela força os personagens a se unirem e revela o valor de Sete-de-Ouros, que, apesar de subestimado, salva a comitiva, reafirmando sua importância.

    "O Burrinho Pedrês" é uma das narrativas mais emblemáticas de Guimarães Rosa, representando a essência de sua prosa: a valorização do sertão e de suas figuras marginais, a força simbólica da natureza e a universalidade das experiências humanas.

Opinião Pessoal e Reflexão (Perguntas e Respostas):

  • Pergunta: Qual a mensagem principal do conto?
    • Resposta: Acredito que a mensagem central seja a valorização da humildade e da perseverança. O burro, mesmo diante do sofrimento e da desvalorização, demonstra sua força e importância no momento crucial.
  • Pergunta: Como a linguagem de Guimarães Rosa contribui para a experiência de leitura?
    • Resposta: A linguagem rica e inovadora de Rosa transporta o leitor para o universo sertanejo, criando uma atmosfera envolvente e poética. A oralidade e as metáforas tornam a narrativa mais expressiva e profunda.
  • Pergunta: O conto ainda é relevante nos dias de hoje?
    • Resposta: Sim, pois aborda temas universais como a exploração, a resistência e a relação do homem com a natureza, que continuam presentes na sociedade contemporânea.

Perguntas e Respostas sobre "O Burrinho Pedrês":

Enredo e Personagens:

  • Pergunta: Qual o nome do burrinho e por que ele recebe esse apelido?
    • Resposta: O burrinho se chama Pedrês, mas também é conhecido como Sete-de-Ouros. A razão para o apelido não é explicitamente detalhada no conto, mas sugere uma referência à sua pelagem ou a alguma marca característica.
  • Pergunta: Descreva a jornada do burrinho Pedrês.
    • Resposta: A jornada é árdua e exaustiva, acompanhando uma comitiva de boiadeiros na condução de uma boiada. O burro carrega cargas pesadas, enfrenta a seca, o calor e a crueldade dos homens, culminando em uma enchente que testa seus limites.
  • Pergunta: Quem são os principais personagens do conto?
    • Resposta: O personagem principal é o burrinho Pedrês. Os boiadeiros, incluindo seu dono, são personagens secundários, representando a figura do homem sertanejo e sua relação com o trabalho e os animais.
  • Pergunta: Qual a importância da enchente no final do conto?
    • Resposta: A enchente é um momento de inversão. O burro, antes considerado fraco e inútil, demonstra sua força e salva dois boiadeiros, provando seu valor e mostrando a imprevisibilidade da natureza.

Temas:

  • Pergunta: Quais os principais temas abordados em "O Burrinho Pedrês"?
    • Resposta: Os principais temas são a exploração animal e humana, a resistência e perseverança diante das adversidades, a relação do homem com a natureza e a valorização da humildade.
  • Pergunta: Como a exploração é representada no conto?
    • Resposta: A exploração é representada pela forma como o burro é tratado, sendo submetido a trabalho exaustivo, maus tratos e pouco reconhecimento. Isso reflete a exploração do trabalho no sertão, tanto de animais quanto de pessoas.
  • Pergunta: De que forma o conto aborda a relação entre o homem e a natureza?
    • Resposta: O conto retrata a interação entre o homem e o ambiente hostil do sertão, marcado pela seca e pela violência. A natureza se apresenta como uma força implacável, que exige resistência e adaptação.

Linguagem e Estilo:

  • Pergunta: Quais as principais características da linguagem de Guimarães Rosa em "O Burrinho Pedrês"?
    • Resposta: A linguagem é marcada pela inovação, com neologismos, arcaísmos, metáforas, comparações e a incorporação da oralidade sertaneja. Isso cria um universo linguístico único e expressivo.
  • Pergunta: Dê exemplos de figuras de linguagem presentes no conto.
    • Resposta: Exemplos incluem metáforas como "A poeira subia, vermelha, igual sangue seco", comparações como "O burro andava como se carregasse o mundo nas costas" e personificação, ao atribuir características humanas ao burro.
  • Pergunta: Como a oralidade se manifesta no conto?
    • Resposta: A oralidade se manifesta através de expressões populares, ritmo cadenciado e a reprodução da fala sertaneja, aproximando a narrativa da tradição oral.

Contexto Histórico e Social:

  • Pergunta: Qual o contexto histórico e social retratado no conto?
    • Resposta: O conto retrata o sertão mineiro em um período de dificuldades econômicas e sociais, marcado pela seca, pela exploração do trabalho e pela violência.
  • Pergunta: Como "O Burrinho Pedrês" se insere no Modernismo brasileiro?
    • Resposta: O conto se insere na Terceira Geração do Modernismo, caracterizada pelo regionalismo universalista, experimentalismo linguístico e introspecção psicológica. Rosa aprofunda a temática regional, mas com uma linguagem inovadora e uma abordagem que transcende o local.

Interpretação e Reflexão:

  • Pergunta: Qual a importância do título "O Burrinho Pedrês"?
    • Resposta: O título centraliza a narrativa na figura do burro, destacando sua importância como personagem principal e símbolo da resistência.
  • Pergunta: Qual a mensagem principal que podemos extrair do conto?
    • Resposta: A mensagem central pode ser a valorização da humildade, da perseverança e da força que reside nos seres mais simples. O conto também nos leva a refletir sobre a exploração, a relação com a natureza e a condição humana.
  • Pergunta: Como podemos relacionar "O Burrinho Pedrês" com outras obras de Guimarães Rosa ou de outros autores regionalistas?
    • Resposta: Podemos relacionar com outras obras de Rosa que exploram o universo sertanejo e a condição humana, como "Grande Sertão: Veredas". Também podemos relacionar com obras de outros autores regionalistas, como Graciliano Ramos, que retratam a seca e a vida no sertão.

1. Dissertativa:

  • Pergunta: De que forma a descrição do burrinho Pedrês contribui para a construção do tema da humildade no conto?
    • Resposta: A descrição inicial do burrinho como "miúdo e resignado" já estabelece um tom de humildade. Ao longo da jornada, sua paciência, resistência e a forma como suporta os maus tratos reforçam essa característica. A inversão final, quando ele se torna o salvador durante a enchente, demonstra que a verdadeira força e valor podem residir nos seres mais humildes e aparentemente insignificantes.

2. Alternativa:

  • Pergunta: Qual dos seguintes adjetivos NÃO descreve o burrinho Pedrês? a) Resignado b) Rebelde c) Paciente d) Cansado
    • Resposta: b) Rebelde

3. Verdadeiro ou Falso (V ou F):

  • Pergunta: O conto se concentra principalmente na descrição da paisagem urbana. O burrinho Pedrês demonstra medo durante a enchente.
    • Resposta: Falso, Falso.

4. Correspondência:

  • Pergunta: Associe os elementos da coluna A com os conceitos da coluna B:
    • A: (1) Burrinho Pedrês (2) Boiadeiros (3) Enchente
    • B: ( ) Força da natureza ( ) Exploração ( ) Humildade
    • Resposta: (1) Humildade (2) Exploração (3) Força da natureza

5. Análise Crítica:

  • Pergunta: Analise a importância da linguagem na construção da atmosfera do conto.
    • Resposta: A linguagem de Guimarães Rosa, rica em neologismos, arcaísmos, metáforas e comparações, cria uma atmosfera única que transporta o leitor para o universo sertanejo. A oralidade presente na narrativa contribui para a verossimilhança e para a expressividade da história.

6. Questões Objetivas de Múltipla Escolha:

  • Pergunta: Qual o principal conflito enfrentado pelo burrinho? a) A disputa com outros animais b) A hostilidade da natureza e a exploração humana c) A saudade de sua terra natal d) O medo de se perder da comitiva
    • Resposta: b) A hostilidade da natureza e a exploração humana

7. Complementação Simples:

  • Pergunta: O conto se passa no ________.
    • Resposta: Sertão (mineiro, mais especificamente)

8. Resposta Única:

  • Pergunta: Quem salva os boiadeiros durante a enchente?
    • Resposta: O burrinho Pedrês.

9. Interpretação:

  • Pergunta: "A poeira subia, vermelha, igual sangue seco." O que essa imagem sugere?
    • Resposta: Essa imagem sugere a aridez e a secura da paisagem, transmitindo uma sensação de sofrimento e morte.

10. Resposta Múltipla:

  • Pergunta: Quais elementos contribuem para a caracterização do burrinho como um ser humilde? a) Sua aparência física b) Sua paciência c) Sua capacidade de trabalho d) Sua rebeldia
    • Resposta: a, b, c

11. Asserção-Razão:

  • Pergunta: O burrinho Pedrês representa a resistência, PORQUE, apesar do sofrimento, ele continua a jornada.
    • Resposta: Verdadeiro.

12. Questão de Foco Negativo:

  • Pergunta: Qual dos seguintes aspectos NÃO é central para a narrativa? a) A jornada b) A exploração c) A vida urbana d) A natureza
    • Resposta: c) A vida urbana

13. Questão de Associação:

  • Pergunta: Associe os personagens/elementos da coluna A com as características/ideias da coluna B:
    • A: (1) Burrinho Pedrês (2) Boiadeiros (3) Sertão
    • B: ( ) Dureza/Seca ( ) Trabalho/Exploração ( ) Humildade/Resistência
    • Resposta: (1) Humildade/Resistência (2) Trabalho/Exploração (3) Dureza/Seca

Nenhum comentário:

Postar um comentário